Como utilizamos UX design pra ajudar pessoas a economizarem parte de sua renda para a realização de sonhos, anseios e desejos.
Minha contribuição
Visual Design
UI Design
Sobre o projeto
Frente a realidade econômica de um país subdesenvolvido, enfrentamos o desafio de utilizar técnicas de UX Design para ajudar correntistas do Banco Inter a guardarem dinheiro para a realização de projetos pessoais.
Cliente // Ano de criação
Projeto de conclusão da especialização de Product Design do UX Unicórnio // 2021
A educação financeira pode trazer diversos benefícios, entre os quais guardar dinheiro para a realização de sonhos. Segundo o caderno de Educação financeira do Banco Central, no instante em que programar a aposentadoria, comprar um Smartphone ou fazer uma viagem exigem esforços para sua realização, os sonhos convertem-se em projetos. E, como todo projeto, demanda planejamento para sua realização.
Em pesquisa feita pelo CNDL e o SPC Brasil, 67% dos entrevistados não conseguem guardar dinheiro. A dificuldade se mostrou maior entre os mais humildes (71%) e expressiva entre os mais abastados (54%). Apesar da questão financeira ser um desafio, constatou-se como mais emblemático a falta do costume de poupar entre as classes. Dentre as razões apontadas estão renda baixa (40%), imprevistos financeiros (18%) e gastos não planejados (15%).
Com a tecnologia atual ressignificando nossas vidas, a nossa relação com o dinheiro se tornou mais cômoda. O aumento de fintechs exemplifica isso ao apresentarem soluções intuitivas e simplificadas para a organização financeira. Na esteira dessas inovações, presenciamos também o processo de digitalização de bancos tradicionais como BB ou Bradesco e ascensão de bancos essencialmente digitais como NuBank e Inter.
Mesmo assim, guardar dinheiro para a realização de projetos persiste sendo algo complexo para o brasileiro. Ciente dessa dificuldade, consideramos fundamental para este projeto explorar as barreiras em torno da organização financeira a fim de encontrar maneiras para o seu estímulo.
Desenvolver cofrinho digital gamificado que estimule 5% dos correntistas a guardarem uma parte de sua renda por 3 meses consecutivos durante um período de 6 meses para analisarmos a aceitação do público.
De modo a conhecer melhor o usuário em potencial do serviço, desenvolvemos uma proto persona chamada Patrícia, posteriormente validada por pesquisas quantitativa e qualitativa.
Agora que temos uma persona, criamos a jornada do usuário, também validada por pesquisas quantitativa e qualitativa, para ilustrar o percurso idealizado para a realização da meta.
Para melhor ilustrar, apresentamos a história de Patrícia e a jornada do usuário para alcançar o sonho de viajar para Fortaleza.
Era uma vez Patrícia, uma recepcionista de hotel que sonha em conhecer todos os estados do Brasil. Todos os dias ela acorda cedo para trabalhar em um hotel na cidade de Niterói/RJ. Certo dia fez o check-in de turistas que falaram das experiências em seu último destino, Fortaleza/CE. Desde então, começou a analisar sua situação financeira, a se organizar financeiramente e a cultivar o hábito de guardar dinheiro com a realização da sonhada viagem. Por causa da necessidade de juntar dinheiro, utilizou o serviço do Porquinho Inter. Até que finalmente conseguiu reunir o valor necessário para viajar.
A exploração desenvolvida sobre a organização financeira mobilizou o uso da Matriz CSD, a adoção de questionário via Google Forms e de entrevistas síncronas e assíncronas via WhatsApp e Google Meet, como descreveremos a seguir.
Com o objetivo de priorizar as dúvidas sobre o tema, adotamos a matriz CSD para priorizar as hipóteses vindas a partir das informações das proto persona e proto jornada, conforme mostram os registros abaixo.
Na busca por sanar as dúvidas priorizadas, formulamos hipóteses e desenvolvemos questionário online para entender como as pessoas se sentem em relação à organização financeira e se elas usam algum método para se organizarem. O compartilhamento da pesquisa em grupos de organização financeira e nos perfis pessoais dos envolvidos nesse estudo foram as estratégias de disseminação adotadas. Em 48 horas, conseguimos um total de 119 respostas.
A estruturação da pesquisa seguiu o seguinte molde: com base em cada hipótese levantada, elaboramos uma pergunta e, posteriormente, analisamos sua validação.
A necessidade de explorar ainda mais o que desestimula o hábito de guardar dinheiro nos levou, na pesquisa qualitativa, a explorar as estratégias adotadas para essa finalidade. Para isso, resolvemos entrevistar os participantes da fase quantitativa que consideraram a organização financeira como algo necessário de ser feito e que aceitaram fazer parte dessa etapa ao informar seus contatos. Foram feitas 8 entrevistas síncronas e assíncronas, conforme a disponibilidade dos mesmos, via WhatsApp e Google Meet.
Outro elemento importante analisado foram as oportunidades de negócio, identificadas na proto jornada. Norteados pelos conhecimentos obtidos, utilizamos a técnica HMW para priorizar as oportunidades que pudessem gerar maior impacto com menor esforço.
Tendo em vista a associação negativa entre guardar dinheiro e sacrifício, consideramos oportuno e de maior impacto investir em soluções que estimulem, que tragam prazer ao ato. Desta forma, as soluções priorizadas foram:
Vale destacar que todas as soluções direcionaram nosso foco para ações que facilitassem e estimulassem a prática de guardar dinheiro. A gamificação, o oferecimento de descontos e vantagens, em uma plataforma simples e funcional foram argumentos valorosos para desmistificar a ideia de guardar dinheiro como algo penoso, com sacrifícios.
Com base nos aprendizados, os integrantes individualmente trabalharam em rabiscos de produtos/serviços que resultaram no advento do esboço de solução: um cofrinho digital gamificado.
O rascunho apresentado orientou o desenvolvimento do protótipo de baixa fidelidade que você pode acessar aqui. Aplicamos esse protótipo a um teste de usabilidade com 6 pessoas que não participaram das pesquisas anteriores. Inserir metas, visualizar gastos, depositar dinheiro na carteira foram algumas das tarefas solicitadas. Apesar de bem sucedidas, foram identificados alguns problemas:
Na análise da usabilidade do esboço de solução, consideramos de menor esforço e maior benefício vincular a proposta a um banco, dando enfoque à gamificação de metas. Afinal, bancos, como o Inter, já possuem parcela das demais oportunidades identificadas.
Com isso, o percurso nos levou a apresentar como proposta de solução o Porquinho, o cofrinho digital gamificado do Banco Inter desenvolvido para estimular a prática de guardar dinheiro para a realização de metas pessoais, como a viagem da Patrícia. No Porquinho, os valores guardados pelos correntistas são convertidos em pontos que somados podem prover recompensas vindas de empresas parceiras do banco (Shopping Inter). Com isso, cria-se um ciclo de retroalimentação de produtos e serviços.
A escolha por incorporar nossa solução a um banco já existente, nos levou a explorar o aplicativo e o site oficial do Banco Inter em busca de informações que nos ajudasse a entender a maneira como eles apresentam as informações e a montar um Guia de Estilos básico, para posterior aplicação no protótipo de alta fidelidade.
Orientados pela identidade visual do Banco Inter, construímos o wireframe do Porquinho, com as seguintes funções:
Você pode acessar o protótipo de média fidelidade aqui.
A análise do código-fonte do site oficial permitiu que coletássemos os códigos das cores primary, secondary, dark, light, danger e success. Fontes, botões e formulários foram elaborados para coincidir com a identidade visual do Banco Inter.
Considerando as práticas visuais atuais do banco, percebemos que o botão verde é utilizado em diversos CTA (call to action), por isso utilizamos este modelo como padrão para este tipo de chamada.
Você pode acessar o protótipo de alta fidelidade aqui.
O protótipo de alta fidelidade foi submetido a testes de usabilidade com 5 pessoas, todas correntistas do Banco Inter, de forma assíncrona via Whatsapp. As principais observações estão listadas a seguir:
Vale ressaltar que essas observações já foram alteradas e precisam passar por novos testes para serem validadas.
A sede por desbravar as técnicas e abordagens do design da experiência do usuário, nos levou inicialmente a nos colocarmos no lugar de usuários. Contudo, aprendemos que esse lugar não nos pertence. As pesquisas foram essenciais para abrir nossos olhos, ouvidos e mentes para prover a melhor solução possível aos usuários que desejam se organizar financeiramente para realizar seus sonhos.
As consultas com usuários foram fundamentais para revermos nossa direção e inserir a proposta do cofrinho digital dentro da plataforma do Banco Inter. Isso nos mostrou a relevância das entregas parciais para o negócio. Entendemos que é de extrema importância realizar novas pesquisas e novos testes a fim de melhorar ainda mais o produto e sua usabilidade. Certamente a experiência que tivemos nos fará alçar outros voos de modo mais atento e consciente do papel que temos.
O percurso que nos levou a realização do Porquinho do Banco Inter foi realizado durante o período mais incisivo da Pandemia do Covid-19. Feito em ambiente 100% remoto, os últimos 3 meses foram marcados por 15 reuniões síncronas por Google Meet e conversas assíncronas via Telegram. O desafio e as técnicas adotadas foram frutos do curso UX Unicórnio idealizado por Leandro Rezende. Nosso mais sincero agradecimento por fornecer os subsídios necessários para a construção deste case e por nos preparar para o mercado.